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Paço Municipal: mais de um século no centro da vida política de Porto Alegre


     Ele é um dos mais imponentes prédios do centro de Porto Alegre, presente na vida da cidade desde o início do século passado. E presente não apenas fisicamente: presente também na vida política de Porto Alegre, já que ele abriga a sede das decisões políticas e administrativas da cidade enquanto Prefeitura Municipal. É o chamado Paço Municipal, onde dezenas de intendentes e prefeitos se revezam no comando dos destinos dos porto-alegrenses.


     Débora Magalhães da Costa, Diretora da Equipe do Patri-mônio Histórico e Cultural, EPHAC, destaca a importância histórica e arquitetônica de uma edificação, segundo ela “tradu-zida pela monumentalidade e suntuosidade eclética, com diversos elementos simbólicos nas suas fachadas.” O edifício do Paço Municipal foi construído entre 1898 e 1901 para ser a sede da Intendência de Porto Alegre. Até então, a Intendência não possuía sede própria, funcionando em vários prédios alugados no centro da cidade. José Montaury de Aguiar Leitão, eleito em 1897 pelo Partido Republicano Rio-grandense, foi quem assumiu o compromisso de construção do edifício. Entre as primeiras providências estavam o aterro da Doca do Carvão e a venda de terrenos do município para angariar recursos. O projeto foi inicialmente encomendado ao Engenheiro Oscar Muniz Bittencourt, mas, devido ao centralismo do Governo do Estado, o projeto acabou sendo submetido a Júlio de Castilhos, que não o aprovou, encarregando o arquiteto João Antônio Luiz Carrara Colfosco, italiano de Veneza, para desempenhar a tarefa.
     O prédio do Paço Municipal traduz o gosto pela monu-mentalidade e pela suntuosidade, referidas por Débora, vigorantes no Rio Grande do Sul no período positivista. Como arquitetura ele apresenta-se composto de matrizes clássicas, reunidas em um único organismo. Nele pode-se observar a associação de elementos como a pequena torre da fachada, o corpo central tripartido, os tímpanos triangulares e em arco das janelas, os corpos centrais e os corpos angulares destacados, e o uso da aparência rústica no embasamento. Ainda em termos de arquitetura, as formas se reinventam acoplando elementos, sem fundí-los. Dentre as características de  matrizes classicistas, se destacam a sobreposição das ordens arqui-tetônicas (dórica no térreo, simbolizando o Poder e a coríntia no alto, significando a Harmonia e a Justiça), a forte marcação dos planos horizontais, a emergência da edificação em relação ao espaço circundante, a importância de todas as fachadas, o tratamento das aberturas, a utilização de cornijas, arquitraves e platibandas.
     Na fachada temos a aplicação da ordem arquitetônica na parede com um em-ba-samento imitando pedra, balaustrada, janelas em edí-cula com tímpano triangular ou em um arco, cornija, pla-tibanda e es-ta-tuária.                                                                
     O edifício é carregado de elementos simbólicos com as várias esculturas     colocadas na fachada principal. A figura central representa a Liberdade, a da direita representa a História; o busto de Péricles, a Democracia; a figura da esquerda representa a Ciência. O grupo colocado próximo à fachada da Rua Uruguai tem a figura central representando a Agricultura, a da direita representa o Comércio e a da esquerda representa a Indústria. Além destes dois grupos encontram-se duas figuras isoladas que representam a Justiça e a República. Na fachada da torre existem dois bustos, o da esquerda é de José Bonifácio e o da direita é do Marechal Deo-doro da Fonseca. No centro encontra-se o Brasão da República.

 

 Preservado e restaurado
      O Paço, tombado pelo município em 21 de novembro de 1979, também passou por um processo de restauro. Segundo o arquiteto Helton Bello, também do EPHAC, após um século de funcionamento e mesmo com obras de conservação periódicas, “o desgaste natural de materiais e as alterações que o prédio foi sofrendo através do tempo, colocaram a necessidade de uma ampla intervenção de restauro”. A proposta de restauração do Paço foi desenvolvida pela Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (EPAHC) e a obra executada pela Espaço Arquitetura e Restauro - empresa especializada em obras de restauração, com mais de 60 trabalhos nesta área no Estado. A obra, finalizada em 2003, reverteu diversas descaracte-rizações e devolveu à edifi-cação, espaços antes obstruí-dos, como o porão, que agora abriga local de exposições.


A Pinacoteca Municipal no Paço


     Uma das boas novidades trazidas pelo processo de restauro pelo qual passou o Paço Municipal é que a cidade ganhou mais espaços para as artes. No lado esquerdo de quem entra no Prédio, onde antes funcionava a Comunicação Social da PMPA, com a reforma a área foi destinada para exposições de artes plásticas, abrigando a Pinacoteca Aldo Locatelli e destinando, ainda mais três espaços para os artistas. Além disso foi resgatado também do porão do Paço que, segundo Ana Pettini, diretora do Departamento de Artes Visuais da Secretaria da Cultura, “é muito cobiçado pelos artistas contemporâneos que vêm nele uma ótima alternativa para instalações, mostras de fotografias e outras intervenções de multimeios”. Ana informa que só falta agora a climatização para que a Pinacoteca possa operar normalmente, o que será um  fato inédito, segundo ela, pois “depois de 20 anos com o acervo artístico municipal circulando, espalhado em vários locais, finalmente ele poderá estar reunido na Pinacoteca”. Sem dúvida, mais um motivo para que a população visite o belo, imponente e histórico prédio do Paço Municipal.

* Fotos: Gilberto Simon

 

Todos os prefeitos de Porto Alegre no Paço Municipal

 

Felicíssimo Manuel de Azevedo
Alfredo Augusto Azevedo
João Luís de Farias Santos
Febeliano da Costa
José Montaury
Otávio Rocha
Alberto Bins
José Loureiro da Silva
Antônio Brochado da Rocha
Clóvis Pestana
Ivo Wolf
Egídio Soares Costa
Conrado Rigel Ferrari
Gabriel Pedro Moacir
Ildo Meneghetti
Eliseu Paglioli
José Antônio Aranha
Ildo Meneghetti
Lindolfo Bohel
Manuel Osório da Rosa
Manuel Sarmanho Vargas
Martin Aranha
Leonel Brizola
Tristão Sucupira Viana
José Loureiro da Silva
Sereno Chaise
Célio Marques Fernandes
Renato Sousa
Célio Marques Fernandes
Telmo Thompson Flores
Guilherme Socias Villela
João Antônio Dib
Alceu Collares
Olívio Dutra
Tarso Genro
Raul Pont
Tarso Genro
João Verle
José Fogaça

 
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